quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Serge Haroche: “minha pesquisa parece esotérica”


O físico francês Serge Haroche, 68 anos, que dividiu o Prêmio Nobel de Física com o americano David Wineland, ficou conhecido por seu trabalho com fótons
Imagem de outubro de 2009 em Paris do físico francês Serge Haroche, 68 anos, vencedor do Nobel de Física deste ano
Imagem do físico francês Serge Haroche, 68 anos, vencedor do Nobel de Física deste ano: forte defensor da investigação fundamental, “a pesquisa com base em pura curiosidade.” (Christophe Lebedinsky/AFP)
O físico francês Serge Haroche, 68 anos, que dividiu o Prêmio Nobel de Física com o americano David Wineland nesta terça-feira, ficou surpreso com o anúncio, a ponto de ter que se sentar em um banco quando recebeu a ligação na França da Academia Real de Ciências da Suécia.
“Eu estava na rua, passava junto a um banco e pude me sentar imediatamente”. Acabava de ver que o indicador telefônico da Suécia aparecia em seu telefone celular, e adivinhou que iria ganhar o prêmio. Depois da ligação da Academia, falou com a família e com os colegas mais próximos, “sem os quais não teria podido obter o prêmio”.
“Sempre se pensa que isto pode acontecer, mas as chances são mínimas”, acrescentou. Especialista em física atômica e ótica quântica, Haroche já havia recebido em 2009 a Medalha de Ouro do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique, um dos principais centros europeus de pesquisa).
Serge Haroche disse que iria ao seu laboratório à tarde e que tinha a intenção de celebrar seu prêmio “com champanhe”.
Pesquisa “esotérica” — Primeiro envolvido com a matemática, Haroche se aproximou rapidamente das ciências físicas. “Eu estava fascinado pelo fato de que a natureza pode ser entendida por leis matemáticas, e fui rapidamente atraído para a física, que acrescenta à matemática uma questão essencial: o real”, contou em 2009.
“Haroche é alguém extremamente entusiasta, dinâmico, interessado em muitas coisas, como a música, a literatura”, afirmou Claude Cohen-Tannoudji, professor do Collège de France, do qual Haroche foi um dos primeiros alunos. “É um homem que tem qualidades científicas e humanas notáveis”, acrescentou.
Seus trabalhos permitiram estudar e ilustrar experimentalmente alguns dos postulados da mecânica quântica que desafiam a intuição. Os átomos e fótons constituíram o princípio orientador de sua carreira científica: “Eu ainda estou empenhado em realizar experimentos de laboratório envolvendo átomos e fótons em situações ‘exóticas’, que normalmente não encontramos na natureza”.
“Esta é uma pesquisa que parece a muitas pessoas esotérica e altamente técnica”, explicou, lembrando, porém, que os transistores, o laser ou a ressonância magnética nuclear, a base da RM (ressonância magnética), são “tecnologias que foram desenvolvidas graças ao conhecimento do mundo quântico.”

Créditos: Revista Veja

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